Soldado PM resgatado da situação de rua

O fato que hoje narramos foge completamente da nossa rotina profissional, mesmo após anos lidando com os mais diversos casos sociais. Nas proximidades da Associação de Cabos e Soldados (ACS), um homem em idade avançada era visto nos últimos meses remexendo no lixo à cata de material reciclável e alimentando-se do que lhe davam, até das sobras de marmitex dos restaurantes próximos. Atento ao que se passava, um cidadão manteve contato, verificando que se tratava de um PM reformado. Surpreso e indignado com a situação, buscou a Assistência Social da ACS, informando o fato ao soldado Marcelo, que, por sua vez, entrou em contato com o Serviço Social da Gerência de Saúde, solicitando a intervenção profissional de uma assistente social.

O soldado Marcelo utilizou a ambulância da Associação de Cabos e Soldados – ACS e conduziu o SD Deco (nome fictício) ao Serviço Social da Gerência de Saúde. Foi um momento impactante recebê-lo. Com olhar perdido no vazio, ele conduzia nas costas um saco com os seus pertences e materiais recolhidos no lixo. Calçado com sandália de cores diferentes, sua roupa constituía-se de calça e camisa sobre duas camisetas, sem a mínima condição de higiene.

A situação do SD Deco caracterizava um caso de indigência social, embora se tratasse de um policial militar reformado. Soldado, 77 anos de idade, vivendo em situação de rua, embora confuso, respondia-nos à medida que íamos formulando as perguntas. Às vezes passava de um assunto para outro. Checamos todas as informações colhidas naquele primeiro contato, confirmando a veracidade de tudo que nos disse. O estado dele inspirava cuidados especiais e imediatos, por isto decidimos encaminhá-lo para avaliação especializada na Clínica Bom Jesus, sendo indicada a internação pela psiquiatra, visto que o soldado Deco sofria depressão com risco de autoextermínio.

Desde então a assistente social designada para acompanhamento social do SD Deco realizou os procedimentos técnicos visando a melhoria das suas condições de vida e de saúde, sobretudo o resgate dos vínculos familiares, pois há muito tempo contava apenas com acolhida de uma família amiga, mas que não se responsabilizava por suas saídas para a rua.

Através do Levantamento Social, chegamos aos vários aspectos sociais que levaram o SD Deco a essa situação, contrariando todos os direitos garantidos no Estatuto do Idoso. Abandonado pelos filhos desde o ano 2000; endividado por vários empréstimos descontados diretamente no seu salário, cujo montante foi utilizado indevidamente por pessoas de má-fé; teve a própria casa vendida com desvio do valor correspondente; desconto em folha de pagamento de uma pensão para uma pretensa esposa, motivo de questionamento judicial; Ipasgo bloqueado por dívidas contraídas por seus dependentes, além das dívidas contraídas com alimentos para a sua própria subsistência.

Articulamos uma rede social com a finalidade de promover os Direitos Sociais que o caso exigia. A Fundação Tiradentes custeou a dívida junto ao Ipasgo, garantindo o seu Plano de Saúde. A Associação de Cabos e Soldados – ACS -, através da Assessoria Jurídica, faz atualmente os questionamentos legais da situação financeira a que foi levado. O filho do SD Deco assinou um Contrato Social no Departamento de Serviço Social da PM-GO, responsabilizando-se doravante pelos cuidados sociais e de saúde com o seu genitor baseado no Estatuto do Idoso.

Para nossa alegria, o SD Deco já se encontra de alta hospitalar e retornou ao convívio familiar. Sentimos na paz do seu sorriso a alegria de termos contribuído no resgate dos seus direitos sociais.

Fonte:Diário da Manhã (www.dm.com.br)
11/06/2009

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