Serviço policial militar com qualidade – 12 de Junho de 2010

Minhas reflexões e artigos publicados sobre o trabalho policial militar e a Segurança Pública em nosso estado nasceram da experiência de quem participou e ainda acompanha diuturnamente esta atividade essencial em nossa sociedade.  Minha turma de aspirante a oficial entrou na marca dos quarenta anos desde nossa inclusão na PM-GO. Além do dever moral e ético, agradeço a Deus todos os dias pela escolha que fiz em servir como PM, caminho também percorrido pela minha esposa major Vânia Alencar e por meu filho capitão Lusdenes. Nossa gloriosa PM tem avançado muito, tanto operacionalmente como no relacionamento interno. Na década de 70 por exemplo, punições  seriam aplicadas pelo simples fato de não se encontrar atento à passagem de um superior, perfilando-se para prestar-lhe a devida continência.
A vida do PM melhorou em todos os sentidos. Há pouco li uma interessante reflexão do PM Josué Ferreira de Araújo. Identifiquei-me com alguns pontos da sua narrativa. Da mesma forma tive o desprazer de ver o meu crédito bloqueado para compra de alimentos em um armazém da Cidade Jardim. Na década de oitenta com o salário defasado e atrasado, as vendas não aguentavam pendurar uma fatura já que não havia previsão de quando a dívida seria quitada, devido aos atrasos  na folha de pagamento e até mesmo a falta de pagamento por vários meses. Outra situação deprimente, quando conseguíamos adquirir algum veículo – carro ou motocicleta – o salário não dava pra mantê-los rodando e muito menos pagar os devidos impostos, acarretando situações constrangedoras e até punições por andar com os veículos irregulares, impostos vencidos e etc. Atualmente quem adentra uma Unidade da Polícia Militar vai ter dificuldade de encontrar uma vaga no estacionamento. A marca do veículo já não está relacionada à patente, encontramos oficiais com carros populares e também praças com automóveis de luxo, adquiridos com a melhoria do salário e pelas facilidades de financiamento e o crédito prestigiado de nossa categoria.
Recentemente pude comentar diante de um público seleto, com a presença de autoridades responsáveis pelos destinos da PM goiana, a necessidade de humanizar mais ainda a nossa corporação. Sugeri que todo o seu contingente fosse submetido periodicamente a uma avaliação psicossocial, principalmente os que forem empregados no serviço operacional, para não corrermos o risco de colocar policiais militares com distúrbios psicológicos no serviço direto com a comunidade. Esclareci que isto só será possível com a ampliação dos quadros de saúde, através da inclusão de novos oficiais psicólogos, assistentes sociais, médicos psiquiatras e outros relacionados, haja vista que o último concurso público neste setor foi feito há mais de 15 anos. Este, a meu ver, o melhor controle que redunda em benefícios gerais: acompanhar de perto a vida de quem tem por dever guarnecer a vida das outras pessoas, e não, o que vem acontecendo: PMs envolvidos em escândalos, espancamentos, bebedeiras, tiroteios, mortes e outras situações. 
No sistema democrático todas as vozes devem se manifestar, compete a cada um fazer o seu juízo de valores. Sempre defendi esta bandeira: crescimento qualitativo. Aumentar o efetivo sim, mas assegurando antes as condições de trabalho e um salário digno, proporcionando-lhe a melhoria da qualidade de vida do PM e de sua família. Nas unidades da federação onde as polícias militares tiveram um crescimento do efetivo e aquisição de equipamentos operacionais (armas, viaturas, aeronaves, animais, treinamentos e adestramentos) sem a valorização salarial e investimento na qualificação profissional e os militares engrossam as fileiras dos tribunais, infelizmente na condição de réus. Todos saem perdendo neste contexto, onde predomina violência, corrupção, policiais coniventes com o tráfico e com o contrabando de armas e munições.
A garantia de tranquilidade nos serviços executados pela Polícia Militar depende da condição social e psicológica dos seus homens e mulheres. Quem estará na linha de frente para receber o primeiro impacto dos conflitos sociais? Quem fica exposto a toda sorte de violência que ocorre nas ruas? Quem chega primeiro nos locais de alto risco onde os bandidos respondem à bala?
Os policiais militares garantem o funcionamento de todos os órgãos em todos os poderes da nação. A presença potencial exercida pela dinâmica dos trabalhos da PM garante a ordem nas manifestações pacíficas ou nas situações perturbadoras da ordem pública. Em toda parte, a qualquer hora, uma viatura da PM poderá ser acionada, sem nenhuma burocracia. Basta que haja um conflito, um risco para alguém, logo estará a postos. A PM é uma tropa especial, presente em todos os momentos da vida pública e privada em nosso país e merece ser tratada como tal. 

Francisco de Assis Alencar é coronel da Polícia Militar (www.apargo.org.br)

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