Sistema Carcerário

Sempre que surgem os conflitos sociais a imprensa está a postos, informando, coletando dados sobre o assunto e ouvindo as opiniões dos principais envolvidos na crise. Funcionando qual um termômetro ou um despertador social, a imprensa livre exerce um papel importantíssimo em nossa sociedade.

Desde sábado passado os interesses da mídia goiana voltaram-se para o sistema carcerário. Os jornais estamparam em suas manchetes as repetitivas imagens da violência ocasionada inicialmente pela disputa entre os ocupantes das alas internas da Penitenciária Odenir Guimarães. Tiroteio, morte, quebradeira, ferimentos, desespero das vítimas e dos seus familiares em busca de informações.

Vimos acompanhando o noticiário dos dias seguintes, com o parecer das autoridades  competentes, dos jornalistas e o trabalho de abalizados profissionais da imprensa. A presença do Arcebispo metropolitano D. Washington Cruz na penitenciária (P.O.G.) foi noticiada e a cobrança feita por ele no sentido de que raiz do problema seja atacada, enfatizando que “só haverá solução através de uma busca conjunta e participativa”.

Em novas edições os velhos problemas que afetam o sistema carcerário foram devidamente identificados: – Superpopulação carcerária, reduzido número de agentes prisionais, inexistência de sistemas de vigilância eletrônico, existência de facções no interior dos presídios que exercem um poder paralelo, rivalidade entre presos ocupantes das alas internas, falta de treinamento e especialização dos Policiais Militares e Agentes Prisionais, prédios antigos, mal projetados e mal conservados, entre outros.

O Sistema Carcerário sofre de uma doença crônica devidamente diagnosticada. As rebeliões nada mais são do que o agravamento, a fase aguda da enfermidade. Nesta fase ocorrem as medidas de impacto: – atuação de uma força externa (polícia), convocada para conter os agressores internos (briga entre os ocupantes das alas).

As esperadas reformas e medidas governamentais para o sistema penitenciário seguem a passos lentos. A administração do setor carcerário goiano vem barrando da melhor forma a interferência do crime organizado e a escassez de verbas para o setor, graças ao trabalho de abnegado servidores.
O que fazer diante desse quadro? Que ajuda podemos oferecer, como membros da comunidade, para amenizar a situação? Deixar como está pra ver como é que fica? Não temos nada a ver, pois é competência do governo,  da Justiça e da Policia?

Não dá pra ficar parado. Tudo isto nos diz respeito. Não vivemos neste mundo como ilhas, distanciados uns dos outros. O que acontece dentro das prisões afeta a todos nós. Aliás tudo é interligado. Como afirmou recentemente o grande líder espiritual Dalai Lama: – O crime é condenável, mas o criminoso é digno de piedade, ele perde a liberdade, mas não a cidadania. Em suma, devemos proceder como o médico, tratando da enfermidade sem sacrificar o enfermo. O próprio Mestre Jesus deu o exemplo supremo, ao permitir sua condenação por um tribunal injusto, sendo executado entre malfeitores. O Cristo diagnosticou com precisão as nossas enfermidades junto a mulher adúltera, demonstrando que não estávamos em condições de atirar a primeira pedra.

Então o Sistema Carcerário tem tudo a ver com a nossa vida, com as melhorias esperadas por todos que lutam por um mundo melhor, mais justo e mais fraterno. Infelizmente muitos ainda resistem e fazem vista grossa para as verdades evangélicas, passando ao largo, como não se nada pudesse ser feito. Cruzar os braços simplesmente não resolve. Precisamos agir e nos congregar aos vários seguimentos envolvidos, sempre procurando a união de esforços, através do voluntariado, das igrejas e grupos espíritas, das Organizações Não Governamentais (ONGS), fazendo orações pelos encarcerados e visitando-os nos presídios.

Francisco de Assis Alencar – Cel PM RR – Presidente da “APAR” – Associação de Proteção e Amparo ao Reeducando.

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