O sábado se tornou um dia diferente em nossas vidas. Na parte da tarde integramos a caravana da boa vontade e partimos para a periferia. Vários fatores contribuíram para que firmássemos no dia de sábado. No correr da semana fazemos os preparativos. Doações voluntárias nos chegam continuamente, às vezes, precisamos buscar nas próprias residências dos colaboradores. Ao amanhecer do sábado, as equipes se desdobram para que até o meio-dia tudo esteja pronto. Bem-humorada, uma de nossas colegas inventou até um nome para o nosso grupo: “a rede do bem” está formada.
Surpreendo-me a cada jornada com tanta generosidade. Roupas, calçados, alimentos, brinquedos, doações voluntárias encaminhadas às famílias necessitadas. Colegas se desdobram arrecadando em vários locais. No Ceasa, nas padarias, nas casas de carnes e supermercados, cada um doando os seus produtos. Tudo sendo recolhido, transportado, separado, ensacolado e entregue ao destinatário. Muita gente envolvida na rede do bem. Tudo por amizade, reconhecimento e generosidade, as únicas moedas circulantes nesta rede.
Lições incomparáveis para toda a vida. Não há faculdade mais completa, academia melhor aparelhada, a nos preparar para a vida, do que acreditar no bem, acreditarmos uns nos outros, alimentarmos a fé e a esperança numa vida melhor. Não se trata de seguir essa ou aquela religião, mas reconhecer o bem em qualquer parte, ver com os olhos da compaixão, enriquecer os nossos corações de esperança.
Os voluntários da rede do bem são espíritas, católicos, evangélicos, esotéricos, umbandistas, enfim, alguém que quer doar, ajudar de alguma forma, alguém que busca movimentar, envolver os amigos, por uma causa maior, pelo bem coletivo, pela paz e esperança em dias melhores.
Sem Deus, não haverá paz nos corações. Não haverá fraternidade se não acreditarmos uns nos outros. O tesouro maior que todos buscamos é a reconstrução da paz e da harmonia interior. Retomarmos os caminhos da paz, respeitando todas as crenças, jamais gastando uma gota de energia para difamar, desdenhar ou diminuir a grandeza dos esforços e conquistas alheias. Por esses caminhos, encontramos a força moral para seguir adiante, o principal ponto de sustentação aos ideais que acalentamos.
Graças a Deus que eu fui fisgado para a rede do bem. Familiares e amigos colaboram, colegas de ideal dão a maior força. Cada qual no seu limite, colaborando e participando na medida de suas possibilidades. De sábado em sábado concretizamos mais um ano de caminhada. Quantos irmãos socorridos, com a migalha que seja, mas doada de coração. Quantas vezes nossos ouvidos registraram os bordões de agradecimento: “Muito obrigado”; “Que Deus multiplique”, “Deus te abençoe com muita paz”, “Jesus ilumine os teus passos”. Música sublime para os nossos corações, a melhor recompensa que poderíamos aspirar, a energia que parte dos corações sinceros e agradecidos. O nosso compromisso aumenta com tudo de bom que a rede do bem tem nos proporcionado.
Os benfeitores espirituais afirmam em toda parte que o Senhor Jesus nunca esteve tão próximo das sofreguidões humanas quanto neste instante de transição. A onda mental do Cristo supre a nossa incredulidade. Enquanto as sociedades terrenas acomodam-se na insanidade da guerra e do poder, Jesus sustenta o planeta com Seu incondicional amor. Busquemos Nele a inspiração para prosseguirmos, irradiando em nossos corações essa Luz, espalhando o amor, sustentando a fé, multiplicando o bem.
Francisco de Assis Alencar é coronel da Polícia Militar