Archive for fevereiro de 2009
Serviço Social na Polícia Militar de Goiás
Posted by assisalencar in Artigos CEL ALENCAR on 4 de fevereiro de 2009

Assistente social, um profissional que atua em múltiplas áreas de trabalho, como sejam, assistência social, habitação, saúde, justiça, entre outras, respondendo pelo atendimento à grande demanda social em nosso Estado e em todo o território nacional. Com muita honra e alegria ímpar, comungo e participo do ideal de serviço e da vida de uma assistente social, major Vânia Alencar, profissional que fez e continua fazendo a mudança de paradigmas, fortalecendo e dignificando a sua categoria profissional.
Viver e conviver com alguém que tem por dever de profissão facilitar a vida de seus semelhantes na perspectiva do direito social, contribuindo na promoção da saúde e na melhoria das condições de vida, é uma experiência enriquecedora. Assistente social, uma profissional cuja rotina é abrir caminhos, providenciar encaminhamentos e encontrar as melhores soluções para os mais intrincados problemas.
Tive a honra de participar do momento histórico de implantação do Serviço Social na Diretoria de Saúde, transformada recentemente em Gerência de Saúde da Polícia Militar de Goiás. No mês de agosto de 95, a então tenente Vânia Maria Rodrigues Alencar, recém-chegada ao Hospital do Policial Militar, teve por missão iniciar o trabalho social no âmbito da saúde.
Entre os desafios que lhe foram propostos, não se tratava simplesmente em ocupar uma função como oficial do Quadro de Saúde (QOS), deveria ocupar um espaço para uma categoria profissional, dando visibilidade ao papel do assistente social, de conformidade com os estatutos legais e éticos do Serviço Social. Desenvolveu então um trabalho de educação em saúde com os usuários do hospital do policial militar enquanto aguardavam atendimento médico na sala de espera; uma feliz iniciativa que permitiu a divulgação do Serviço Social, ensejando reflexões oportunas sobre os direitos à saúde e o exercício da cidadania no âmbito da corporação.
Logo nos primeiros momentos, iniciou-se a procura dos policiais militares e de seus dependentes legais pelo atendimento da assistente social, caracterizando uma demanda espontânea e também uma demanda direcionada, através do encaminhamento dos comandantes de OPM.
As necessidades sociais que mais levam os policiais militares a buscar o Serviço Social desde a sua implantação são as seguintes: – Atenção à Saúde, tratamento de doenças, conflitos familiares, estresse laboral, adaptação funcional, remanejamento de unidades e uso de substâncias psicoativas, entre outras.
No enfrentamento das demandas sociais, algumas posturas do assistente social no Serviço Social da PM/GO merecem destaque: – articulação com os demais profissionais, a implantação de programas de saúde com base nas demandas existentes e o compromisso com os princípios profissionais: – qualidade dos serviços prestados, posicionamento em favor da equidade, justiça social e defesa dos direitos sociais, especialmente em uma instituição hierarquizada como a Polícia Militar.
Atualmente, o Serviço Social está ligado diretamente à Gerência de Saúde, sendo responsável pela implantação e coordenação dos seguintes programas de saúde na Polícia Militar: – Programa de Atenção Integral à Saúde do Policial Militar – PAISPM – e Programa Saúde para o Diabético, que funcionam desde janeiro de 1996 e agosto de 1997, respectivamente. Nos próximos dias será lançado oficialmente, no âmbito da Polícia Militar, o Centro de Saúde Integral do Policial Militar, que também contará com a participação do Serviço Social, sendo este voltado para contribuir na melhoria do nível de saúde do policial miilitar e ainda motivá-lo à melhoria da qualidade de vida.
Ao longo dos anos, o trabalho do assistente social vem alcançando reconhecimento, sendo necessário a formação de uma equipe de assistentes sociais para fazer frente à demanda sempre crescente. As assistentes sociais a par dos serviços prestados, ainda se empenham pela conquista de respeito profissional e adequadas condições de trabalho, lutando pela própria dignidade.
Com esta singela reflexão sobre o Serviço Social na Polícia Militar, estendo o reconhecimento aos profissionais assistentes sociais, que no exercício de suas profissões contribuem decisivamente para uma sociedade mais justa, através de uma intervenção qualificada, desprovida de preconceitos, municiada com saberes específicos, dentro dos princípios éticos fundamentais e da universalidade de acesso aos bens e serviços.
Francisco de Assis Alencar é coronel da PM R. RG 4.644 PM/GO
Campanha de Orações pela Seg. Pública
Posted by assisalencar in Artigos CEL ALENCAR on 3 de fevereiro de 2009
No ano em que as autoridades eclesiásticas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic) escolheram o tema segurança pública para a Campanha anual da Fraternidade, entre os caminhos buscados e as soluções apontadas no sentido de reduzir a violência, proponho uma coalizão de pensamentos e vibrações, sobretudo mobilizando recursos espirituais ao alcance de todos, através de orações, preces, vibrações e mentalizações pela paz, para que os debates em torno da problemática alcancem os objetivos propostos. Acontece anualmente em Salvador (BA) um movimento denominado Você e a Paz, criado em 1998 por Divaldo Pereira Franco (médium, escritor e conferencista espírita), objetivando a conscientização de todas as forças vivas da sociedade, cidadãos e organizações coletivas – civis, religiosas e governamentais – com relação à paz e à harmonia social, com a finalidade de acelerar a construção do progresso, dos bons costumes, do direito e da solidariedade, como meios para eliminar as exclusões e para promover a riqueza, a vida e o equilíbrio social. O movimento hoje é realizado em diversos Estados do Brasil e também no exterior: Portugal, França, Espanha e Estados Unidos.Uma interessante experiência realizada na cidade de New York, nos Estados Unidos, atesta positivamente a influência da prece na segurança pública. Milhares de cidadãos foram convocados para emitirem pensamentos de paz, vibrações positivas e preces voltados para a segurança dos cidadãos e atuação nos órgãos de Segurança Pública, por um determinado período em que os índices de violência foram considerados alarmantes, confirmando-se no período escolhido uma diminuição nos índices de homicídios e demais crimes em relação a um mesmo período em anos anteriores. Relembro a lição de fé da mãe de um reeducando. Sincera em sua fé (religião evangélica), recebera um comunicado de que seu filho tinha se envolvido em uma briga dentro da penitenciária (antigo Cepaigo) e pedia a sua presença. Na enfermaria da penitenciária, constatou que o filho estava machucado, com costelas partidas e escoriações pelo corpo todo. Ali, na presença dos outros prisioneiros, sem outro recurso para pensar as feridas do filho, ela retirou uma peça de sua roupa íntima (anágua) e utilizou como faixas para proteger os ferimentos. Limpando os ferimentos e protegendo-os com a gaze improvisada, ela perguntou ao filho se na manhã do dia em que o fato acontecera ele tinha se lembrado de orar a Deus e pedir a sua proteção. Sincero com sua mãe, admitiu que não havia passado por sua cabeça nenhum pensamento neste sentido. Achei lindo o gesto daquela mãe que, no recesso do coração, guardava a certeza de que Deus não desampara a nenhum dos seus filhos. Aquela mãe alimentava a fé de que, se o seu filho tivesse dirigido um pensamento a Deus, uma prece sincera em busca de ajuda espiritual através da oração, receberia inspiração e ajuda do Alto, concedendo-lhe moratória ou abrandamento para os seus penares. Orientação espiritual que abrigamos em nossos corações, sempre valiosa em todos os momentos: Em tudo que nos propomos realizar, ao iniciarmos e ao findarmos uma jornada de trabalho, quando saímos para uma simples visita fraterna, quando adentramos a um veículo de transporte ou até quando recebíamos em serviço a notícia de um assalto, de um motim ou de ocorrências de alto impacto emocional, enfim, em todas as circunstâncias, sempre remontamos o pensamento a Deus, a Jesus e aos benfeitores espirituais, entregando-nos em suas mãos e rogando-lhes a proteção em todos os lances difíceis da vida.Que remédios, pois, poderíamos dar aos que foram atingidos por obsessões cruéis e males pungentes? Um só é infalível: a fé, voltar os olhos para o céu. Se, no auge de vossos mais cruéis sofrimentos, cantardes em louvor ao Senhor, o anjo de vossa guarda vos mostrará o símbolo da salvação e o lugar que devereis ocupar um dia. A fé é o remédio certo para o sofrimento (Mensagem ditada por Santo Agostinho em Paris no ano de 1863). Ensinam os benfeitores espirituais que o poder da prece está no pensamento e que podemos orar em toda parte e a qualquer hora, a sós ou em comum. A prece em comum tem ação mais poderosa, quando todos os que oram se associam de coração a um mesmo pensamento e colimam o mesmo objetivo, porquanto é como se muitos clamassem juntos e em uníssono. Quando Jesus disse que “a fé remove montanhas”, falava no sentido moral e não de uma montanha de pedra, que sabemos impossível remover. As montanhas que atravessam nossos caminhos e que a fé transporta são as dificuldades, as resistências, o preconceito, o orgulho, os interesses materiais, a cegueira. Podemos e devemos orar permanentemente pela segurança pública, seja no templo católico, evangélico, espírita, umbandista, em toda parte e a qualquer hora. No próprio ambiente de serviço policial circulam esporadicamente pelo serviço de rádio comunicações, mensagens positivas com votos de “bom serviço com as bênçãos de Deus”, “boa folga e vá com Deus”, “boa Páscoa”, “bom Natal em família” “feliz Ano Novo com muita Paz”, “a Paz do Senhor”, numa demonstração sincera de fé. Que os corações sensíveis nos postos de comando das polícias Militar e Civil, da Segurança Pública e da Justiça em nosso Estado estimulem a oração no ambiente de trabalho e com certeza tudo o mais virá por acréscimo da misericórdia divina. Francisco de Assis Alencar – Cel PM R(http://pmvida.blogspot.com)
Salvacionismo – um ciclo perverso
Posted by assisalencar in Artigos CEL ALENCAR, Sem Categoria on 2 de fevereiro de 2009
Na obra Um Modo de Entender – Uma Nova Forma de Viver, psicografada pelo médium Francisco do Espírito Santo Neto, encontramos edificante página do instrutor espiritual Hammed, que esclarece sobre a armadilha psicológica do “salvacionismo”, situação indesejável na qual nos envolvemos, muitas vezes inadvertidamente, for falta de orientação segura. O salvacionismo é uma das muitas táticas de autocondenação que utilizamos, de forma consciente ou não, fazendo uso da seguinte armadilha psicológica: “ter a pretensão de mudar o que não está em nosso alcance mudar”. Ilusoriamente assumimos o papel de “salvadores de almas”, intentando sermos arrumadores da felicidade alheia, buscando, a qualquer preço, resgatar as pessoas de um conflito ou situação crítica.
As sensações reveladoras do ciclo perverso do salvacionismo são as seguintes: “pena”, por acreditarmos que a pessoa que estamos auxiliando é indefesa, incapaz de realizar algo sozinha; “culpa”, por não termos a capacidade e a competência para amenizar o conflito alheio; “santidade”, por acreditarmos que temos um compromisso espiritual para solucionar as dores de outrem; “ansiedade”, por querermos recuperar, da noite para o dia, todo o bem perdido pelo infeliz, devolvendo-lhe a alegria de viver; “raiva”, “medo”, “frustração”, sucessivamente, por nos colocarmos diante do dilema dos outros, com a enorme responsabilidade de resgatar alguém do emaranhado em que se encontra e a frustração por não percebermos a diferença entre “caridade e salvacionismo”.
As características da segunda etapa do ciclo salvacionista: autopiedade, humilhação por termos sido tratados como algo sem importância. Só queríamos ajudar, fazer o bem ou – quem sabe? – resgatar débitos do passado e mesmo afastar espíritos obsessores. Quando o próprio mestre Jesus ensinou que “aquele que quiser vir após Mim, renuncie a si mesmo, tome a sua a cruz e siga-me”, ofereceu-nos roteiro para que evitássemos o papel de vítimas que assumimos quando sentimos que a criatura a quem ajudamos, que julgamos ter reabilitado, não segue os ensinos que oferecemos, visto que demonstra ingratidão pelos benefícios recebidos e desprezo pela nossa dedicação. Em concordância com a ideia cristã, o filósofo e matemático grego Pitágoras sintetizou o assunto com a máxima: “Ajuda teu semelhante a levantar sua carga, porém não a levá-la.”
De forma inconsciente ou não, nos atormentamos magoados e ressentidos com o indivíduo a quem “socorremos” tão prontamente. Tentamos solucionar seus problemas, dissemos “sim” quando queríamos dizer “não”, esquecemos de nós para pensar nas suas dificuldades, gastamos muita energia e ficamos raivosos pela incompreensão alheia. Desconsolados, nos perguntamos: Por que isto está sempre acontecendo comigo? E chegamos a justificar o nosso desalento, acusando a tudo e a todos; as pessoas são ingratas, a sociedade é cruel, o mundo á assim mesmo. Devemos nos perguntar: o que realmente fizemos para estar infelizes e frustrados? O que temos que modificar em nossas ações e comportamentos para sermos mais felizes e nos realizarmos?
O mentor espiritual Hammed nos ensina que esse esquema mental de “querer forçar a mudança de sentir, pensar e agir dos outros” nos levará a descuidar da própria existência e a viver em constante estado de inadequação. Paulo, o apóstolo dos gentios, identificou essa armadilha ao prescrever em sua epístola aos romanos: “Feliz aquele que não se condena na decisão que toma” (Paulo aos Romanos, 14:22). Repetir e validar o “ciclo perverso” do salvacionismo, cuidar e proteger sem limites, depois se vitimizar, acreditando que é desventurado, que foi usado e enganado e, mais além, atormentar, é a atitude de todo aquele que “se condena na decisão que toma”.
O apóstolo Paulo prossegue, orientando-nos na mesma carta aos romanos: – “Guarda a Fé esclarecida para ti diante de Deus”. Deus age em tudo que existe, tudo tem sua razão de ser, e não tem nada errado conosco, nada a corrigir em nós ou nos outros, a não ser melhorar a nossa forma de ver. A criatura difícil que surge em nosso caminho é uma lição essencial para nossa paz e crescimento, desde que fujamos do ciclo vicioso e perverso do salvacionismo, em todo e qualquer segmento religioso que vise a formar o homem de bem.
Francisco de Assis Alencar
é coronel da PM/GO. http://pmvida.blogspot.com
