Archive for setembro de 2008

PAISPM – Programa da família miliciana

Nos meus mais de trinta anos de serviços prestados à Polícia Militar de Goiás, todos eles junto à tropa, convivendo de perto com as questões disciplinares e comportamentais, senti que a organização Polícia Militar, através dos diversos segmentos (comandantes e diretores, presidentes das Associações de Oficiais e de Praças, da Caixa Beneficente, da Fundação Tiradentes, da Associação das Viúvas e Pensionistas, etc) direcionados para o Policial Militar e seus familiares, todos estes órgãos com um grande potencial a oferecer, ainda não tinham acertado um programa de atenção à saúde de forma integral, incluindo não só o policial militar, mas principalmente os que mais de perto conhecem a sua vida, ou seja, os seus familiares.

Participei de várias tentativas quando ainda na ativa, com o Comando da Corporação, no sentido de criar um programa que fizesse frente à demanda sempre crescente de policiais militares envolvidos com as substâncias psicoativas, suas implicações disciplinares e a nível da saúde como um todo. Logo de início enfrentávamos um grande obstáculo, a discriminação com os policiais indicados para as reuniões: – eram tachados “como bebuns”, “pés inchados”, etc. Todas as tentativas foram importantes, infelizmente porém não lograram continuidade. Restava somente a aplicação do Regulamento Disciplinar (RDPMEGO), a pressão através de transferências e outras medidas coercitivas, como os instrumentos de contenção do uso abusivo de bebidas alcoólicas e de outras drogas. “Vinte e um dias de prisão” disciplinar para os casos mais graves era o “remédio” preferencial e essa punição significava a última advertência.

Conhecendo um pouco da história da Polícia Militar, até por dever do ofício escolhido, podemos afirmar sem sombra de dúvida que após várias tentativas no sentido de dar forma e fazer funcionar um programa com o perfil desejado, enfim, uma luz surgiu no fim do túnel. O programa “PAISPM” – Programa de Atenção Integral à Saúde do Policial Militar, criado e coordenado pela major Vânia Maria Rodrigues Alencar, programa voltado exclusivamente para os policiais militares e seus familiares, constitui um marco histórico na atenção à saúde dos policiais militares. A bem da verdade, a problemática das dependências químicas na Polícia Militar de Goiás está dividida em “antes” e “depois” do “PAISPM”, um programa a cargo da Diretoria de Saúde, coordenado pelo Depto. de Serviço Social/DS desde janeiro de 1996. O “PAISPM” é um programa consolidado e sua experiência já foi apresentada em vários congressos de Saúde das polícias e bombeiros militares do Brasil, constituindo-se como referências para as co-irmãs. Dentro do programa “PAISPM” na pretendida atenção integral à saúde foram surgindo novos programas: – “PAISPM-Vida” que engloba ex-participantes do PAISPM em total sobriedade; ‘PAISPM-Tabagismo”; “PAISPM-Família” e “PAISPM-Mineiros”.

A major Vânia incluiu na PM como 2° tenente assistente social, desde o início da carreira, escolheu a fidelidade à ética profissional e o respeito aos direitos de cada um. A equipe sob a sua coordenação conhece as enormes dificuldades, mas aceitou o desafio como estímulo na busca contínua em defesa da universalização dos direitos e do crescimento profissional.

Desde o início do “PAISPM” há mais de doze anos, acompanho de perto a evolução do programa e o trabalho de toda a equipe envolvida. A major Vânia sempre fez questão do uso correto dos termos, muitos dos quais estranhos ao meu linguajar. O programa é composto por Equipe Multiprofissional de Saúde, isso quer dizer que engloba o trabalho de vários profissionais, como sejam: assistentes sociais, psicólogos, odontólogos (cirurgiã-dentista), nutricionista, enfermeira, músico e a presença do médico, com o merecido destaque, mas não como um profissional acima dos demais. Na Equipe Multiprofissional os valores se juntam para atingir um único objetivo: – a saúde e o bem-estar do participante, termo em substituição a “paciente”, haja vista que para ingressar no “PAISPM” a porta de entrada é o Serviço Social da Diretoria de Saúde, sendo espontâneo o ingresso, induzindo o participante a que assuma um compromisso com a proposta terapêutica que lhe é apresentada. As atividades desenvolvidas no “PAISPM” objetivam contribuir na melhoria do nível de saúde do policial militar e na construção de um Projeto de Valorização da Vida. Os conceitos de saúde/doença na visão da equipe seguem a linha holística da integralidade do cidadão em seus aspectos físicos, mentais, sociais e espirituais. As ações terapêuticas incluem as consultas, os exames médicos, a terapia individual e grupal, o trabalho social com os grupos, incluindo dinâmicas, palestras, musicoterapia, passeios, confraternizações, participação em eventos, congressos, seminários e fóruns de Saúde.

O sucesso do “PAISPM” é devido, segundo a major Vânia, a um trabalho que contou desde o início com o apoio do comandante-geral da corporação, dos comandantes de OPMs, dos grupos de auto-ajuda A.A. (Alcoólicos Anônimos), Cerea (Centro de Recuperação de Alcoólicos), Amor Exigente, Grupo AJA com Jesus, Ministério Público Estadual, Fundação Tiradentes, Voluntários e Amigos do “PAISPM” e da Equipe de Profissionais de Saúde. Junto aos órgãos de imprensa, merece destaque o apoio do Diário da Manhã, que em várias oportunidades divulgou e abriu suas páginas ao “PAISPM”.

Francisco de Assis Alencar
é Cel. PM R RG 4.644 PM/GO
http://pmvida.blogspot.com

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Lute pelo possível, o ideal pode esperar

“Prisões psíquicas”, “prisão em si mesmo”, “celas psicológicas”, “desconexão consigo mesmo”, expressões comuns aos estudiosos do psiquismo, cujo significado transcende a esfera psicofísica, constituindo-se em objeto de estudos no plano espiritual. Braços dados com os terapeutas comportamentais, com psicólogos, psiquiatras e estudiosos do psiquismo humano, os benfeitores espirituais encaminham pelos canais da mediunidade informações minuciosas sobre nossas mazelas psíquicas, colocando-nos frente a frente com o maior responsável por todas as aflições e o único causador de todos os infortúnios, ou seja, nós mesmos.

Não precisa ser doutor ou possuir títulos acadêmicos para captar a mensagem oriunda do plano maior. Essencial que se tenha bom senso para analisar a lógica dos conteúdos. Com mente aberta e desprovida de preconceito, veremos a ciência e a religião como as duas alavancas da inteligência humana: uma revelando as leis do mundo material e a outra as do mundo moral, mas todos, sem exceção, devemos esforçar-nos por abrandar a expiação dos nossos semelhantes, de acordo com a lei de amor e caridade”. (E.S.E. Cap. I item 8 e Cap V Item 27).

Os benfeitores espirituais vêm em nosso auxílio para que nos libertemos das malfadadas cadeias psíquicas criadas por nós mesmos. “A não aceitação de si mesmo”, “a idealização” e “a negação dos sentimentos”, situações conflituosas que alimentamos em nosso mundo interior.

Autoaceitação significa aceitar-se por inteiro, com as qualidades e com os defeitos, admitir que carregamos algo desagradável e censurável, mas admitir com amor e sem reprovação. Aceitar-se sem culpa apesar de tudo. Geralmente por não aceitarmos o nosso lado obscuro, criamos defesas psíquicas que nos fazem acreditar sermos o que ainda não somos.
O processo de autoencarceramento psíquico tem vários estágios. O instrutor espiritual José Mário ensina pela psicografia de Wanderley Soares de Oliveira na obra Quem sabe pode muito, quem ama pode mais que a “idealização” acontece em relação a si próprio e também em relação às outras pessoas. Quando nos desconectamos das nossas reais possibilidades, passamos a idealizar, fugindo da tarefa mais importante pela qual nascemos, que é aprender a amar, inclusive a si mesmo. Amar como se é, mesmo não sendo o que idealizou ser.
A negação dos sentimentos acontece porque ainda não sabemos oferecer um tratamento amoroso a nós mesmos. Não sabemos ouvir os próprios sentimentos. A nossa conexão espiritual passa pelo processo de escuta de nós mesmos. Nossos sentimentos traduzem as leis naturais da vida, por eles escutamos Deus e quais planos Ele tem para cada um de nós.
Os bondosos amigos espirituais nos orientam também como nos livrarmos das armadilhas psíquicas. Esclarecem-nos que devemos lutar para conhecermos um pouco mais a nossa intimidade, ouvirmos a voz do coração e termos mais atenção aos próprios sentimentos através do diálogo interior. Olharmos os nossos sentimentos sem cobrarmos tributos morais. A única razão para nos envergonharmos é a de não fazermos nada para transformar nossa natureza egocêntrica, sob a qual ainda nos encontramos escravizados.

Lute pelo possível, aceite-se tal qual é, faça a possível reforma íntima, reconhecendo-se como um ser espiritual em evolução. O ideal em nosso mundo de provas e expiações é uma meta, um objetivo que pode esperar. Lá chegaremos no devido tempo quando estivermos preparados e amadurecidos psiquicamente.. Um dia chegaremos lá, assim como os filetes d’águas de um regato seguem o mesmo destino das águas caudalosas de um rio, misturando-se ambas no imenso oceano.

Francisco de Assis Alencar é Cel PM R

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